sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Alchemy


(a)tinjo o arco
íris (in)color
do outro lado
há ouro in dolor

domingo, 15 de novembro de 2009

medida


amor teça
a dor meça

sábado, 7 de novembro de 2009

SOLver meio


o sol ca
minha rua
raio de
cobre o céu
de ver
meio da rua

domingo, 1 de novembro de 2009

A estrela do oriente


Despojada na areia morna do fim de tarde, Lúcia consulta o Doutor Mar, seu psicólogo. O sol a abandona lentamente. Ela se arrepia com o frio do vento que traz a noite e ouve o "heavy metal" das ondas que explodem, raivosas, suas espumas na praia. O Doutor Mar não está bem, parece acompanhar o ritmo do coração de Lúcia, assim como as folhas dos coqueiros acompanham o batuque do vento gelado.
A noite, já adulta, espalha suas trevas no horizonte.
De repente, um pequeno ponto de luz invade a escuridão na direção do oceano, ao longe. Lúcia se lembra dos tempos de criança, quando contava as estrelas que seu inocente olhar conseguia alcançar. Agora, essa estranha estrela desponta no horizonte, movimentando-se rumo ao norte. Num ímpeto, Lúcia decide acompanhar a estrela. Levanta-se e vai. Ao redor, só há escuridão. A areia, agora fria, dança sob seus pés. O pequeno ponto de luz no longe leste corta o breu no invisível oceano. Qual será o seu destino? Lúcia quer ir com a luz, mesmo sem saber para onde. Saber não importa, o importante é chegar.
As horas vão caminhando com a estrela. Lúcia tenta se alinhar a elas, mas o cansaço limita os seus passos. Neste escuro percurso, a areia acaba por dar lugar às pedras.
A caminhada agora é mais difícil, os pés doem, o caminho se torna íngrime, mas Lúcia não desiste.
Depois de muito subir, sente o coração bater mais forte. Mais do que o cansaço, a legria dita o ritmo de suas pulsações, porque ela está acima da estrela. Mas, neste momento de felicidade extrema, a estrela do oriente some. Atravessa a linha do horizonte e perde-se na escuridão do oceano. E Lúcia percebe-se perdida no alto da colina, no meio da treva. Só resta a ela esperar o sol voltar, para descer.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Reminiscências


Na estação da pequena cidade, eu esperava o trem que trazia a minha nova vida. Estava feliz, pois ao meu lado estava o recente marido, e, à frente, a quilômetros dali, a minha casa na cidade grande e as responsabilidades de esposa e mãe. Eu desejava as novas experiências. Finalmente, o trem chegou, o enorme bicho de ferro e aço! Ao botar os pés no vagão, pisei no futuro. O passo foi forçadamente firme, mas as pernas tremiam. Deixei para trás a cidadezinha, a família e os amigos! Acostumar-me com a cidade grande não foi fácil, mas o tempo é o melhor professor, ele nos ensina a viver de acordo com as diferentes circunstâncias. Com o nascimento de cada um dos cinco filhos, a maturidade se fortalecia e eu aprendia a lidar com os defeitos do marido, e com os meus.
Ao entrar naquele trem, eu não sabia que o futuro seria como ele: de ferro e veloz. Hoje, entro neste quarto e vejo na foto um rosto adolescente e feliz.
Eu, que jamais senti saudade da pequena cidade, embarco de volta no trem. Na chegada, o brilho do sol refletido nas ruas de pedra sabão ofuscam os meus olhos. Posso ouvir a sinfonia que resulta do atrito dos cascos dos cavalos e das rodas das charretes contra as lisas e brilhantes pedras. Sinto o cheiro de estrume. Ah! Eu gostava do perfume de cavalo que se espalhava por toda a cidade. Ainda vejo nas calçadas as árvores redondas, cuidadosamente podadas. No jardim da praça da Matriz, as azaleias dão o tom púrpuro às matinais missas de domingo. Mamãe me obrigava a ir às missas. Tão logo o padre dizia o amém, eu corria para o jardim, na ânsia de pular amarelinha com as amigas. Esse era o lado bom das manhãs de domingo.
As lembranças colocam os meus pés naquele chão novamente. Caminho em direção à ilha que eu chamava de minha. Na ponte, a boiada estourada corre ao meu encontro, o que me obriga a procurar os vãos de concreto, e, ali fico até a boiada passar, tendo a ponte sobre as mãos e as águas barrentas do rio sob os pés. Quantas vezes isso aconteceu, meu Deus? Não sei! O que só agora percebo é que eu gostava disso, me divertia. Foram tantas aventuras! Eu andava a passos de tartaruga, parava no meio da ponte com a desculpa de admirar a paisagem tão familiar. Na verdade, eu queria os bois, os desafios que eles me lançavam, os quais eu sempre vencia me jogando sob o concreto. A sensação de ter os ruminantes sobre mim sem me causar dano me dava alegria, puro êxtase de vencedora. Além dos bois e do rio, a ponte me traz outras doces recordações: os namoricos adolescentes. Meus pais nunca souberam que eu matava aula para namorar ao som das correntezas.
Eu, que jamais senti saudade da pequena cidade, me surpreendo, neste momento, segurando esta fotografia com as mãos flácidas e trêmulas. No papel amarelado meu rosto jovem e alegre ficou eternizado. No papel móvel do tempo, o futuro deixou a ferro suas marcas.
Quase um século de vida! Pouso a foto na gaveta do armário, fecho a porta do quarto na casa que o eufemismo denomina Clínica de Repouso, viro a página, e entro agora no último capítulo de minha história, que comecei a escrever com a linha do trem.

sábado, 17 de outubro de 2009

Paradox


So soul
So flesh
It is a fight!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Primavera


É tempo de florir
Então vamos abrir
As Pétalas!