
Hoje faz cem anos que ele se foi. Ou, como dizia o Rosa, "ficou encantado".
Não nascido em berço esplêndido, epilético, gago, Joaquim Maria Machado de Assis acreditou em si, quando muitos, em sua situação, não acreditariam. Sua paixão pelas letras o levou a desafiar o destino de mestiço da periferia carioca. Foi vendendo doces no colégio que Machadinho, como era carinhosamente chamado, entrou em contato com o mundo letrado. Esse foi o primeiro passo rumo ao reconhecimento por parte do público. À partir daí, o talento somado ao esforço contínuo, fez Machado de Assis se tornar um grande contista, cronista, dramaturgo, jornalista, poeta, romancista, crítico, tradutor, e mais e mais. Polivalente, transitava por várias áreas, sendo completamente competente em todas elas. Por estas e por outras, é considerado por muitos o maior nome da Literatura Brasileira.
Desde a sua primeira publicação, o poema "Ela"(1855), até o seu último romance, "Memorial de Aires"(1908), sua escrita foi amadurecendo a cada obra. Os personagens de Machado saltam das páginas. Verossímeis, retratam perfeitamente o ser humano com todas as suas imperfeições. Todo homem é um pouco Bentinho, Brás Cubas, Quincas Borba, Simão Bacamarte... Se Freud tivesse conhecido Machadinho, teria aprendido muito com ele.
E a mulher machadiana?! Todas as mulheres são um ponto de interrogação no olhar masculino. Mas Machado era diferente, entendia muito bem a alma feminina. Para ele, somos exclamação e reticências. Capitus somos todas nós! Fortes, decididas... Ambíguas, quando convém. Somos dóceis, delicadas. Temos um pouco de Helena também.
Três mulheres reais foram muito importantes para de Machadinho: a madrasta, a madrinha e a esposa. Cada uma foi o apoio e o impulso de que ele precisava em diferentes fases da vida. Com a morte da companheira, Machado passou a se sentir triste e solitário. Deixou-se levar pela morte no dia 29 de setembro de 1908. Suas obras, imortais, brilham como lâmpadas iluminando o difícil e aprazível caminho da Literatura, por onde nós tentamos seguir.